Mais sobre a Somália

14 05 2008

Politica e Governo

Em 1854, o aventureiro Sir Richard Burton descreveu os somalis como uma raça de republicanos bravios e turbulentos. Os somalis se orgulham de não reconhecer nenhum outro mestre além de Alá. Nesse pano de fundo, não é de admirar que jamais foi fácil estabelecer um governo para os
somalis. Por séculos, o governo foi exercido pelos clãs, por intermédio de alianças instáveis entre os grupos nômades. Até mesmo a colonização européia não pode mudar isso. Depois da independência, e particularmente depois do golpe de Estado, quando Siad Barre se tornou o ditador, havia esperança de que o governo seria capaz de unir e de liderar todos os somalis.
No entanto, quando a pressão, Barre começou a manipular o sistema de clãs.

Com o apoio de aliados, ele controlou o país com mão de ferro. Em 1990, quando foi destituído do poder, as facções que o combateram conjuntamente se dividiram, e começaram a lutar umas contra as outras. Ninguém conseguiu tomar o poder. Desde aquela época, a Somália não teve
mais um governo estabelecido. Os militares, os líderes dos clãs e grupos religiosos tentam
aumentar sua influência e ganhar território, estabelecendo alianças temporárias com outros grupos, e até mesmo com outros países. Aqueles que mais sofrem, como sempre, são os segmentos mais fracos da sociedade: os pobres, as mulheres e crianças, as minorias e os cristãos.

Os Homens somalis

Tradicionalmente, 90% da população somali levava vida pastoril nômade. Grupos de homens viajavam pelo deserto com seus camelos. Na viagem, eles tinham de suportar o sol quente, meses de caminhada e ainda defender seus rebanhos contra animais selvagens. O homem somali é geralmente muito corajoso e audacioso e, por tradição, um de seus maiores ideais era ser guerreiro. Nesse cenário desenvolveu-se a cultura oral somali, e os homens somalis são conhecidos por ser ótimos poetas e contadores de histórias e por gostar muito de um debate.
Com a urbanização, o número de pessoas que vivem como nômades caiu para cerca de
60%. No entanto, esses aspectos culturais continuam a ser altamente valorizados, até
mesmo na cidade. Muitas coisas mudaram desde o início da guerra civil. Tradicionalmente, o homem somali era o provedor de sua família. No entanto, com a erupção da guerra, mais de 20
mil homens perderam a vida nos primeiros, e milhares foram mutilados ou exilados. Ao longo da última década, mais de 500 mil pessoas fugiram — muitos homens. Isso devastou a estrutura familiar, além de deixar famílias sem pai. O envolvimento na luta, o trauma e a vida em campos de refugiados destruíram o homem somali. O propósito de nosso Pai celestial é que a estrutura
familiar permaneça intacta, e acreditamos que Ele anseia que esses homens feridos o busquem. Ele quer curá-los e restaurálos, para que sejam homens segundo o Seu coração e que usem seus dons culturais a fim de glorificá-lo.

Os meninos

Samatar vive em uma família nômade. Ele, desde os 9 anos, pastoreia camelos com outros meninos e jovens. Durante semanas, eles vivem apenas de leite de camela, a centenas de quilômetros da família. O pai de Shamsadiin morreu na guerra contra a Etiópia de 1977, e a mãe vive no sul da Somália. Quando ela casou de novo, Shamsadiin foi enviado para o norte para
viver com a avó. A família de Oolaad fugiu de Mogadíscio durante a guerra civil. Eles foram para um campo de refugiados no Quênia, de onde o pai dele conseguiu ir para a Inglaterra.
Depois de alguns anos, Oolaad e as irmãs puderam seguir o pai e, agora, freqüentam a escola em uma cidade britânica. O pai de Mire é um líder respeitado, com 43 filhos de cinco esposas. Como o islã permite, no máximo, ter quatro esposas, ele divorciou-se de sua primeira esposa
antes de casar com a quinta. O pai de Mire faz rodízio entre as casas das esposas e,
com freqüência, está ocupado, resolvendo assuntos do clã. Mire não vê o pai com muita
freqüência. Todo menino somali tem uma história para contar. Histórias cheias de alegria,
conflito, beleza, dificuldade, movimento, amigos, lutas, irmãos, animais, ciúmes, sonhos e esperanças.

Mulheres

O pai de Mire é um líder respeitado, com 43 filhos de cinco esposas. Como o islã permite, no máximo, ter quatro esposas, ele divorciou-se de sua primeira esposa antes de casar com a quinta. O pai de Mire faz rodízio entre as casas das esposas e, com freqüência, está ocupado, resolvendo assuntos do clã. Mire não vê o pai com muita freqüência.
Todo menino somali tem uma história para contar. Histórias cheias de alegria, conflito, beleza, dificuldade, movimento, amigos, lutas, irmãos, animais, ciúmes, sonhos e esperanças.
filhas da circuncisão, mas não podia fazer isso, pois a prática de circuncidar meninas
é obrigatória em sua vila. Há muita falta de compreensão em torno desse assunto, mas os homens e as mulheres mais velhas insistem na prática. Quando o marido e um filho morreram durante a guerra civil, Amina ficou viúva com seis filhos. Ela, agora, comanda uma pequena loja para suprir com dificuldade os custos da vida diária. Uma de suas filhas, Samira, foi estuprada
há três anos por um guerrilheiro e, agora, tem um filhinho, fruto desse terrível incidente. Por
ser muito vergonhoso ter um filho ilegítimo, Samira tem medo de sair de casa. Quase
todas as noites, ela tem pesadelos. Amina está muito preocupada com Samira. As mulheres somalis são muito bonitas e estão entre as mulheres e modelos mais bonitas do mundo. Muitas mulheres somalis enfrentam muita dificuldade; contudo, há aquelas que demonstram imensa força e estão envolvidas no setor da Saúde e no processo de construir a paz.

:: Fonte: Portas Abertas
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