China aceita primeira ajuda internacional após terremoto

15 05 2008

A China aceitou nesta quinta-feira o auxílio de uma equipe de socorro do Japão, permitindo que esta seja a primeira equipe estrangeira a participar das operações de salvamento na zona do terremoto, informou o governo chinês.

“O governo chinês concordou com o Japão no envio de pessoal especializado em operações de salvamento para a zona do sismo em Sichuan para ajudar nas operações de resgate”, afirmou Qin Gang, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores num comunicado.

“Acabamos de ser informados do acordo e já estamos a preparar a equipe de emergência”, disse à imprensa um porta-voz do Ministério japonês das Relações Exteriores.

Até agora, a China tinha agradecido todo o tipo de ajuda internacional e aceitou donativos em dinheiro e bens materiais, bem como as condolências e as orações dos países estrangeiros, mas sem permitir a entrada de equipes estrangeiras de socorro no país.

Desde segunda-feira que Pequim justificou a recusa de ajuda internacional afirmando que as condições para a receber “ainda não estavam preparadas”, sobretudo devido ao estado de degradação do sistema de transportes que não permitia o acesso aos locais mais afetados pelo tremor.

A Austrália e a Coréia do Sul também têm equipes de especialistas a postos para entrarem na China, mas ainda não obtiveram autorização do governo chinês para entrar na zona do terremoto.

Da mesma forma, Pequim ainda não aceitou a entrada no país de uma equipe de voluntários de uma fundação budista de Taiwan e de uma equipe da Cruz Vermelha de Hong Kong para participarem nos trabalhos de socorro em Sichuan.

A decisão do governo chinês em aceitar a ajuda japonesa para lidar com as conseqüências do abalo chega uma semana depois de o presidente chinês Hu Jintao ter realizado a primeira visita oficial ao Japão em 10 anos.

A viagem de Hu ao Japão marcou o retomar as relações entre os dois países asiáticos que há muito se encontram de costas voltadas devido a memórias dolorosas do tempo de guerra ligadas à ocupação japonesa da China nos anos 30 e 40.

Alimentos, helicópteros e militares

O primeiro-ministro chinês ordenou o lançamento maciço de mantimentos, o envio de mais 90 helicópteros e 30 mil militares para a zona mais afetada pelo terremoto, reiterando que salvar vidas é a prioridade máxima, informa hoje a imprensa chinesa.

“Temos de usar todas as nossas forças e salvar vidas a qualquer custo”, declarou o primeiro-ministro, Wen Jiabao, durante uma reunião na sede das operações de socorro durante a tarde de quarta-feira.

Segundo a agência noticiosa Nova China, o exército vai enviar mais 30 unidades de transporte aéreo para a província de Sichuan, a mais afetada pelo terremoto de 7,8 graus na escala Richter que na segunda-feira devastou a região no sudoeste do país.

As operações de resgate vão organizar um lançamento aéreo de larga escala de bens essenciais, incluindo 50 mil pacotes de alimentos, 54 mil artigos de vestuário, 25 mil pares de sapatos e cinco mil cobertores nas zonas mais abaladas pelo terremoto, adiantou a agência oficial chinesa.

Os recém-enviados helicópteros vão juntar-se aos outros 20 que já estão envolvidos no lançamento de alimentos e material de socorro para as áreas mais remotas e que se encontram isoladas desde segunda-feira, como Beichuan e Wenchuan, muito perto do epicentro.

O reforço das operações de resgate acontece quando o balanço provisório de vítimas, segundo o Ministério da Administração Interna chinês, aponta para quase 20 mil mortos, alertando que é cada vez mais urgente salvar as pessoas que se encontram entre os escombros há 72 horas.

“A vida é o bem mais precioso, temos que ser responsáveis para com as pessoas e a história”, acrescentou Wen, que acompanha pessoalmente e no local todas as operações de salvamento, visitando hospitais e dirigindo palavras de conforto e calma ao povo chinês.

A imprensa estatal indicou que o exército chinês vai providenciar mais 60 helicópteros e outros 30 vão ser enviados pela indústria aérea civil.

Os helicópteros são vitais para ajudar nas operações de salvamento uma vez que as muitas das áreas afetadas pelo desastre se encontram numa região montanhosa de difícil acesso ou estão isoladas, com estradas bloqueadas e pontes destruídas devido ao deslizamento de terras provocado pelo sismo.

Mais 30 mil efetivos vão participar nos trabalhos de busca e salvamento, aumentando para 116 mil o número total de militares, equipes de intervenção e policiais envolvidos no resgate.

Todas as pessoas mobilizadas para o salvamento e assistência lutam contra o tempo para encontrar sobreviventes entre os cerca de 40 mil desaparecidos ou soterrados entre as ruínas deixadas pelo terremoto mais forte a atingir a China em 32 anos.

:: Fonte: Lusa


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Uma resposta

18 08 2008
Helton

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