ONU alerta para perigo de conflitos urbanos na África
O diretor regional para África e países árabes do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (UN-Habitat), Alioune Badiane, alertou nesta terça-feira para o perigo de “conflitos urbanos” na África em conseqüência da multiplicação de favelas nas cidades.
Falando no seminário “Impulsionando o crescimento compartilhado: urbanização, desigualdade e pobreza na África”, que aconteceu no âmbito da 43ª reunião anual do Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD), em Maputo, Badiane apelou para a criação de parcerias entre governos e o BAD, de modo a inverter o atual cenário.
Alioune Badiane afirmou ser necessária a adoção pelos governos de “políticas robustas para evitar esta explosão de barracos” e alertou para o risco de conflitos urbanos latentes chegarem a derrubar governos no continente.
De acordo com relatório divulgado por ocasião da reunião na capital moçambicana, entre 12 e 13 milhões de africanos deixarão o campo em direção às cidades em 2008, agravando a pressão urbana no continente e os desafios em saúde, infra-estrutura e acesso a alimentos.
O documento, intitulado “Promover um crescimento partilhado: urbanização, desigualdades e pobreza na África”, destaca ainda que 60% da população urbana do continente, mais de 250 milhões de pessoas, ganha a vida de forma precária - número que deve crescer para 350 milhões em 2020.
O diretor da UN-Habitat, de nacionalidade queniana, atribuiu a permanência do problema das favelas, em parte, a “má gestão, corrupção e falta de vontade política” dos Estados africanos.
Em certos países da África, “vemos enormes muros erguidos pelos governos, que têm medo de mostrar as favelas”, acrescentou Badiane, apontando como solução o reforço da intervenção do BAD no apoio aos países.
“O BAD deve colaborar com outras agências com experiência para melhorar o planejamento urbano na África” e “reforçar a capacidade de análise” das sugestões emanadas do observatório criado pela ONU para avaliar a evolução das cidades mundiais, sugeriu.
Dados da ONU indicam que, até 2030, 60% da população mundial viverá nas cidades, situação que, sem uma boa estratégia de urbanização, pode contribuir para o aumento das favelas.
Segundo Badiane, a África, como continente mais pobre do planeta, é o local onde o problema pode ficar mais evidente.
“Os governos deveriam prestar atenção ao crescimento das favelas”, insistiu Badiane.
Sobre a proliferação de favelas, a primeira-ministra moçambicana, Luísa Diogo, defendeu que, para inverter o cenário atual, é necessário fazer “uma exploração equilibrada, regrada e não improvisada dos recursos disponíveis”.
Esta estratégia “constitui, sem sombra de dúvidas, condição básica para um crescimento e um desenvolvimento harmonioso das diversas regiões do países africanos e a preparação de uma vida melhor para as gerações vindouras”, declarou.
“A situação de pobreza absoluta e desigualdade social entre as zonas rurais e urbanas exige que as estratégias de desenvolvimento atribuam prioridade ao financiamento de infra-estrutura, especialmente estradas, pontes, energia elétrica e telecomunicações, que possam contribuir para a melhor ligação campo-cidade e assegurar mobilidade de fatores de produção de bens entre os diversos mercados”, afirmou a primeira-ministra.
O presidente do BAD, Donald Kaberuka, sublinhou que “os pobres urbanos vivem arriscadamente, possuem o seu próprio ambiente, com casas, água, saneamento de meio, mas o risco de contrair o HIV é muito maior”.
:: Fonte: Lusa

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