A Olimpíadas 2008 em Pequim (Beijing) começa no dia 8 de agosto de 2008 (08/08/08), às 8h08 da noite. A data e hora seguem superstições chinesas para trazer “sorte e prosperidade”. Aparentemente, as estruturas montadas saltam os olhos. As cidades estão limpas e foram quase totalmente reconstruídas. Uma ampla infra-estrutura foi montada para receber milhares de turistas e altletas dos cinco continentes.
Mas por trás disso tudo, há nação que sofre com as atitudes arbitrárias e violentas das autoridades e com o abismo social de um país cheio de contradições econômicas, sociais, políticas e religiosas. Basta lembrar da recente reação chinesa aos protestos no Tibete e os motivos que levaram o direitor de cinema Steven Spielberg desisitr de fazer parte do comitê olímpico.
O povo chinês vem pagando um alto preço para ser anfitrião dos Jogos Olímpicos e transmitir uma boa imagem para o mundo.
Mais de um milhão de pessoas foram forçadas a mudar de suas casas devido às reconstruções para a Olimpíada. Mais de 400 mil pessoas tiveram suas casas demilidas, sem qualquer programa de assentamento do governo.
Para passar a imagem de nação civilizada, o governo deteve camelôs, mendigos e moradores de rua. Muitas dessas pessoas permanecem presas ou foram enviadas para campos de trabalhos forçados!
O peso da preparação também recaiu sobre os cristãos. Historicamente, centenas de grupos, igrejas e organizações missionárias aproveitaram os Jogos Olímpicos para entrar em países restritos (ou não) e promoveram ações evangelísticas.
Por isso as autoridas chinesas temem que os cristãos usem a Olimpíada de Pequim como uma oportunidade para difundir o cristianismo no país e elevar a consciência sobre as violações documentadas contra os direitos humanos e religiosos.
Cadê o espírito olímpico?
Antes de se candidatar para ser o país-sede da Olimpíada 2008, a China se comprometeu com a melhora dos direitos humanos, o que inclui a liberdade de expressão e culto, e a trabalhar para acabar com os conflitos em Darfur, so Sudão.
Teoricamente, o evento esportivo mais importante do planeta, deveria ser sinônimo de superação, tolerância entre os povos e espírito de equipe. “A coisa mais importante nos Jogos Olímpicos não é vencer, mas participar, assim como a coisa mais importante da vida não é a vitória, mas a luta”, resumiu o Barão de Coubertais, depois de apresentar a bandeira da competição, em 1914 e descrever o espírito olímpico.
A bandeira olímpica criada por ele tem um fundo branco puro sem borda. No centro há cinco argolas formando duas filas: em cima, três argolas, nas cores cinza, preto e vermelho, e em embaixo, duas, nas cores amarela e verde (da esquerda para direita). Cada argola simboliza um dos cinco continentes: Europa, Ásia, África, Austrália e América.
Mas como a China tem violado sistematicamente seus compromissos, a organização Repórteres Sem Fronteiras divulgou uma imagem que traduz o espírito que permeia a Olimpíada de Pequim. Algemas substituem as argolas e correntes prendem os continentes.
Hipocrisia
A verdade é que todos os países conhecem as atrocidades cometidas na China e fecham os olhos para a verdade porque não querem perder as relações comerciais com o país mais populoso do mundo.
Oficialmente a China diz que há liberdade religiosa w que 23 milhões de chineses congregam nas igrejas cristãs oficialmente organizadas e controladas diretamente pelo Estado – o protestante Movimento Patriótico das Três Autonomias (TSPM – Three Self Patriolic Movement), com 18 milhões de membros, e a Associação Patriótica Católica (CPA – Catholic Patriotic Association), com cinco milhões de membros.
Organizações internacionais, entretanto, estimam que existam entre 60 e 80 milhões de cristãos chineses, realizando seus cultos clandestinamente. Desde a década de 70, um movimento de reavivamento vem se consolidando no país. Igrejas não oficiais se formaram em residências privadas e muitas casas acabaram transformadas em igrejas.
Por ser um país extremamente extenso, as autoridades perderam o controle em muitas localidades do interior. Há lugares onde os trabalhos evangelísticos seguem sem problemas. Ainda existem cidades e aldeias internas que nunca ouviram falar de Jesus. Em outras regiões, principalmente nas grandes cidades, há cristãos reprimidos, presos, espancados, carentes de treinamento e igrejas sendo fechadas.
>> Edição: Ranielle Alice – Equipe Amigos de Oração
:: Fonte: Fanzine Underground, Ano 6, N° 6, Junho de 2008
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